Rede de Apoio - Quem te ajuda a caminhar?

 

 

“Nenhum homem é uma ilha”, já dizia o poeta John Donne.

 

Somos criados em uma cultura que nos ensina que é muito importante ser uma pessoa forte e madura, e que pra isso é preciso dar conta de tudo sozinha, “não precisar de ninguém pra nada”. Pedir ajuda se torna quase um “atestado de incapacidade”.

 

Percebo que, de cara, há aí duas questões importantes.

 

A primeira que vejo é a dificuldade de reconhecer que não fazemos nada sozinhos. Pra você chegar ao momento da vida em que se encontra, independentemente do ponto de partida, houve outras pessoas que influenciaram seu caminho e de alguma forma te ajudaram, seja preparando uma comida, providenciando ambiente minimamente adequado, te ensinando algo, incentivando e apoiando, acreditando em você quando você já tinha desistido de si.

 

A segunda é uma confusão de ideias. Ser uma pessoa "forte e madura" não tem nenhuma relação com se fechar para as outras pessoas ou não demonstrar vulnerabilidades. Tem mais a ver com o desenvolvimento de autonomia, com se responsabilizar sobre suas escolhas, tomar a “linha de frente” da própria vida. Isso exige bastante, mas é muito diferente de não contar com ajuda. Na verdade, é justamente por exigir muito que é importante ter apoio pra seguir em frente, ter relações que te proporcionem a segurança necessária para explorar as possibilidades ainda desconhecidas ou pouco elaboradas.

 

Na minha experiência pessoal, duas coisas que procurei colocar em prática foram PEDIR AJUDA e ACEITAR AJUDA. Parece estranho separar dessa forma, mas são realmente dois movimentos diferentes. Pedir ajuda implica em saber, no meio do turbilhão de coisas e emoções, exatamente o que você precisa. Aceitar ajuda tem a ver com estar aberto ao que o outro pode oferecer naquele momento, sem culpabilizações - nem de si, nem do outro. Ambos exigem um manejo do orgulho, da vaidade, de diversos julgamentos que a gente nem percebe que tem antes de se deparar com isso. Exigem trabalhar a autoestima, a autoconsciência, o autocuidado, e dar um novo significado à ideia de "ajuda".

 

Eu tinha muita dificuldade com isso, me sentia inferior e incapaz quando não dava conta de algo. Isso me trazia um sofrimento enorme porque me imobilizava: nem conseguia resolver e seguir em frente, nem conseguia pedir ajuda. Depois de muito trabalho pessoal, consegui colocar isso em prática e foi um divisor de águas.

 

Consegui identificar e me abrir pra pessoas-chaves à minha volta, construir relações mais saudáveis com os outros e comigo. O chicote de culpa que eu carregava se tornou mais suave. Consegui dizer “não tô dando conta, me ajuda com isso”. Aprendi a ser mais clara nos meus pedidos. Aprendi que fazer um pedido de ajuda não obriga a pessoa a ajudar e, ao entender isso, recebi ajudas mais inteiras e genuínas. Receber ajuda veio com uma carga de constrangimento sim, mas veio também com alívio e amor. Ainda é difícil às vezes por ser algo que culturalmente tem raízes tão profundas, mas vai se tornando mais fácil com o tempo.

 

Construir uma rede de apoio, com pessoas com quem você possa contar, é um movimento ativo, que exige atenção a si e a quem te rodeia. Ao contrário do que nos ensinaram, fortalece e ajuda muito no caminhar pela vida.

 

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Fernanda Lima Rodrigues

Tel.: (21) 99789-8971

E-mail: lima.fernandapsi@gmail.com

Rio de Janeiro - Brazil